segunda-feira, 28 de julho de 2008

RECONHECIMENTO

O principal indicador de saúde ou doença organizacional está na liderança, ou na falta dela. Já escreveu James Hunter: “liderar é servir”, é, sobretudo, a “habilidade de influenciar pessoas, a trabalharem entusiasticamente visando atingir objetivos comuns, inspirando confiança por meio da força do caráter”.

Sim, liderança tem tudo a ver com caráter, já que se trata de fazer a coisa certa. Quando assumi, exatamente há quatro meses, a diretoria de Jornalismo da Rádio Cultura, conhecia o desafio que me aguardava. O jornalismo da emissora estava desacreditado. Os repórteres desmotivados. Chegaram até a serem criticados por alguns colegas de imprensa. A comunicação com a direção praticamente inexistia. Os salários estavam abaixo do mercado. A produção era pequena. Os investimentos, menores ainda.

Percebendo esta demanda por mais notícias nas ondas da AM-590, o presidente da emissora, Mauri Torres, me convidou para assumir a responsabilidade de reorganizar a produção de notícias. Ele me deu liberdade para escolher, inclusive, a equipe que queria que atuasse comigo. O negócio era fazer o jornalismo funcionar. Passei, então, a me reunir periodicamente com o diretor executivo da rádio, Teóphilo Torres.

Até então, conhecia o Teóphilo de vista. Logo nas primeiras reuniões, percebi que se tratava de uma pessoa que gostava de ouvir mais do que falar e que estava aberto a novidades. Mais que isso, se tratava de uma pessoa que não tinha vergonha de perguntar o que quer que fosse quando não tinha conhecimento do que se tratava, seja as coisas mais simples, até as mais complexas. E ainda carregava consigo um carisma sem igual. Características que me agradavam, pois encontrava ali a oportunidade para desenvolver a habilidade da liderança servidora.

Após as conversas, parti para o trabalho de campo. Comecei com uma pesquisa de clima e fiz um pequeno projeto para apresentar à diretoria. Logo após o aval surgiu meu primeiro, e talvez principal desafio: conquistar a confiança da equipe. Eu precisava convencê-los que, se seguissem minhas idéias, o trabalho deles melhoraria e a vida deles também. Eu tinha certeza que não bastava me sentar na cadeira e dizer: “sou o diretor, façam o que eu digo e pronto”. Eu tinha que agregar valor às pessoas que estavam ao meu lado.

A primeira medida foi manter todos os que lá já estavam – não houve demissão. A segunda, aumentar o salário de todos os jornalistas, sem onerar o caixa da empresa de forma brusca. Junto com o Teóphilo, criamos um plano de aumento progressivo do salário, até que ele se adequasse ao mercado. Em seguida, passamos para outras fazes. Hoje, a empresa investe no conhecimento dos colaboradores. Há poucos dias, uma equipe visitou a Rádio Itatiaia. Uma reunião técnica de muita valia. Outra equipe vai em breve. Além disso, reuniões periódicas com a diretoria foram implantadas e melhoraram a comunicação interna. Saiu ganhando a equipe e a direção que tem um feedback de suas ações administrativas.
O resultado? O número de noticiários mais que dobrou e o jornal da Cultura tem surtido elogios de vários públicos. O respeito dos colegas de trabalho pelos profissionais que atuam na rádio foi restabelecido. Os investimentos aumentaram, dentro das possibilidades e do pé no chão. Para coroar ainda mais o trabalho, todos os meses o colaborador destaque é premiado.

Em conjunto com os demais setores da Rádio Cultura chegamos a 50,9% da audiência só em João Monlevade, segundo pesquisa Data Fato realizada em maio deste ano. Número considerável se comparado com o do segundo lugar: 22%.

É por todas essas conquistas realizadas em tempo curtíssimo que faço parte, hoje, de uma equipe vencedora, motivada, servidora, competente e feliz. Tenho orgulho disso.

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